
Em
1973, três grandes amigos dermatologistas decidiram
passar suas férias de verão, com suas
respectivas famílias , a bordo de um navio
pelo mar Mediterrâneo. Jamais imaginaram que
aquilo que era inicialmente um programa puramente
social, iria chegar à hoje revolucionária
e inquieta Medicina Estética.
A
insatisfação humana no que diz respeito
aos inestetismos do envelhecimento cutâneo e
das distorções corporais foram os temas
predominantes das prolongadas conversas a bordo. Sai
daí, a primeira idéia de juntar esforços
no sentido de melhor estudar, investigar, traçar
e solucionar os problemas estéticos. Nascia
então a idéia de formação
Sociedades Nacionais de Medicina Estética.
Os
três amigos eram Dr. Jean Jacques Legrand da
França, Dr. Alberto Bartoleti da Itália
e Dr. Michel Delune da Bélgica. No navio conheceram
o médico de bordo, um endocrinologista espanhol,
Dr. J. Font Riera, fascinado com a idéia da
abordagem estética no tratamento da obesidade
, comprometeu-se a trabalhar em prol da formação
da referida Sociedade na Espanha.
Foi
na França que nasceu a primeira Sociedade de
Medicina Estética. Seu exemplo foi rapidamente
seguido pela criação da Sociedade Belga
de Medicina Estética, a Sociedade Italiana
de Medicina Estética e Sociedade Espanhola
de Medicina Estética.
Estas
entidades sentiram desde o início a necessidade
da adoção de normas de conduta e comportamento
científico homogêneas. Criou-se então
a U.I.M.E (Union Internacionale de Médicine
Esthétique), a qual engloba hoje 18 Sociedades
Nacionais: França, Bélgica, Itália,
Espanha, Tunísia, Marrocos, Portugal, Luxemburgo,
Suíça, Brasil, Uruguai, Argentina, Chile,
Colômbia,Venezuela, Polônia, Estados Unidos,
Rússia, Romênia, México e Kasaquistão.

A
Sociedade Brasileira de Medicina Estética ,
foi fundada em 1987, por um grupo de médicos
presidida desde então pelo Dr. Aloizio Faria
de Souza, com sede em Vitória, Espirito Santo.
Em
22 de setembro de 1988, foi realizada uma reunião
para estabelecimento dos estatutos da nova sociedade
médica, a qual teve seu ingresso na Union Internacionales
de Medicine Esthétique (U.I.M.E.), com sede
em Paris, como Membro Representante do Brasil aprovado
em 1989.
Em
1989, realiza-se no Rio de Janeiro , no Hotel Nacional,
o 1º Congresso Ibero-Americano de Medicina Estética,
considerado então o primeiro evento da S.B.M.E..
De
lá para cá, a Sociedade Brasileira ,
vem, através da seriedade de seu trabalho,
galgando espaços nos meios médicos nacionais
e internacionais, colocando-a em posição
de respeitabilidade e supremacia, pela pujança
e solidez de seu crescimento.
A preocupação com a auto-imagem e o
à estética não são privilégios
do ser humano, já que a necessidade de dispor
de um padrão estético é condição
de sobrevivência até para inúmeros
seres irracionais.
Entretanto
percebemos, com notável clareza, que na espécie
humana esta preocupação estética
parece ser uma herança genetica, que vem se
incorporando ao seu comportamento de forma cada vez
mais acentuada através dos tempos.
O
sentimento de pertencer ao grupo social, possuindo
traços e contornos corporais condizentes com
os padrões existentes, tão necessários
para o equilíbrio psíquico do indivíduo
, faz da imagem corporal um elemento fundamental para
a caracterização da saúde plena
dos indivíduos.
Confirmando
esse conceito, a simples observação
do comportamento humano em qualquer período
da história revela uma busca contínua
da correção de características
anatômicas inestéticas do contorno corporal,
sejam eles herdadas ou adquiridas.
Constata-se
ainda que a grande competitividade na sociedade contemporânea
faz com que os indivíduos lidem com a auto
estima, com sua estética e com a necessidade
de bem consigo mesmo, como prioridades e elementos
indispensáveis para o seu bem estar pessoal
e sucesso profissional.
Contraditoriamente
, apesar de almejada por todos , com maior ou menor
intensidade , a saúde estética ou a
valorização da auto-estima é
por vezes associada a mera satisfação
de um capricho ou futilidade . Grande engano! A vaidade,
vista como futilidade, coisa sem importância
ou sem valor é uma característica negativa
do ser humano. Entretanto ela positiva quando expressa
a vontade de uma pessoa de estar bem e agradar a si
mesma e a seus semelhantes. A busca do contorno corporal
harmônico, bem como o cuidado com a higiene
do corpo, o bom estado dos anexos da pele (cabelo
e unhas), os cuidados com as vestes , os ornamentos
e a cosmética devem ser vistos como uma vaidade
positiva, que leva a harmonia da pessoa consigo, com
a sociedade e com a natureza . Destacamos que a Organização
Mundial de Saúde estabelece como conceito de
saúde , universalmente aceito, o completo bem
estar físico, mental e social do ser humano.
Por
tudo isso nada mais coerente que a Medicina e os médicos
assumam sua responsabilidade com a saúde estética,
sob o manto científico, ético e legal
que devem nortear seu exercício.
A prática da Medicina em prol da saúde
estética do indivíduo envolve o saber
médico multidisciplinar exclusivo do profissional
médico.
Na
realidade a prática da Medicina Estética
requer a verticalização do conhecimento
médico e o conseqüente estudo e desenvolvimento
da ciência para a aplicação de
um conjunto de atos, procedimentos médicos,
orientações e atenção
psicológica, hábitos de vida e alimentares,
estudos e conhecimentos farmacológicos de produtos
equipamentos e materiais além de recursos tecnológicos
destinados a prevenir, identificar e corrigir ou alterar
conformações anatômicas e inestetismos
decorrentes de patologias orgânicas congênitas
ou adquiridas, acidentes, iatrogenias ou do próprio
envelhecimento natural que afetam as relações
biopsicosociais dos indivíduos.
A
Medicina Estética realiza um programa de Medicina
Social, preventiva, curativa e reabilita o indivíduo
para a sua reintegração social, familiar
e ao trabalho, tendo com objetivo principal a construção
ou a reconstrução do equilíbrio
psicofísico do ser humano.
Os
procedimentos aplicados na Medicina Estética
são considerados atos médicos que requerem
uma abordagem do paciente de forma abrangente, que
pressupõe uma anamnese especial, exame físico
e formulação de diagnóstico clínico
e diferencial, indicação e realização
de tratamento clínico e/ou cirúrgico,
mediante análise de eventuais contra-indicações
relativas ou absolutas, formulação de
prognóstico, orientações individuais
e gerais quanto à prevenção de4
doenças, alteração de função
de órgãos ou agravos à saúde
relacionados com fatores geradores de inestetismo.
Os
pontos essenciais do seu campo de ação
são:
• O tratamento das alterações
físicas, estéticas e constitucionais;
• Os tratamentos das seqüelas inestéticas
das doenças e dos traumatismos;
• A postergação do envelhecimento
e principalmente das suas formas de exteriorização
e de suas repercussões físicas e psicológicas;
• A reeducação perante no sentido
de proporcionar ao indivíduo a possibilidade
de preservar o seu patrimônio biológico,
através do desenvolvimento de programas de
higiene mental, física e alimentar.
|